outubro 13, 2025

Dia Mundial da Saúde Mental 2025

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Cultivando o Bem-Estar no Ambiente de Trabalho

Este ano, me dediquei ainda mais aos estudos de saúde mental no ambiente de trabalho. Tudo teve início quando comecei a ensinar Mindfulness nas Organizações em 2016 e acabei me aprofundando na Especialização da Escola Paulista de Medicina UNIFESP – quem diria hem? A engenheira e executiva estudando na EPM!

Depois, trabalhei na Tailândia, em um Centro de Recuperação, em 2019/2020, e continuei os estudos no Einstein, com as formações em Saúde Mental nas Organizações. Como líder e mentora, este ano fiz um mergulho nos riscos psicossociais e NR1.

Nesta newsletter, trago a intenção de oferecer um guia para trabalhadores e líderes em como fortalecer a nossa saúde mental, identificar e combater o burnout e navegar pelas novas diretrizes da legislação brasileira, a NR1, que coloca os riscos psicossociais no centro da estratégia de segurança do trabalho.

Cuidando da Sua Saúde Mental: Dicas para o Dia a Dia

Manter o equilíbrio em meio às pressões do trabalho moderno é um desafio constante. No entanto, pequenas ações diárias podem fazer uma grande diferença na sua resiliência e bem-estar. A Organização Mundial da Saúde (OMS), em seu guia “Fazer o que Importa em Tempos de Stress”, enfatiza a importância de técnicas práticas para gerenciar a pressão. O guia propõe cinco estratégias fundamentais:

  • Ancorar (conectar-se ao momento presente)
  • Libertar (desapegar de pensamentos difíceis)
  • Agir com Valores (alinhar ações com o que realmente importa)
  • Ser Gentil (praticar autocompaixão)
  • Criar Espaço (permitir que sentimentos difíceis existam sem lutar contra eles)

Estabeleça Limites Claros e Proteja Seu Tempo

A tecnologia nos conectou de formas incríveis, mas também borrou as fronteiras entre vida profissional e pessoal. Defina horários claros para começar e terminar o trabalho. Desative as notificações fora do expediente e comunique seus limites assertivamente para seus colegas e gestores. Ter um tempo para se desconectar não é um luxo, mas uma necessidade para a recuperação mental. Pesquisas demonstram que a incapacidade de desligar do trabalho está diretamente associada ao aumento do estresse e à redução da qualidade do sono.

Pratique o autocuidado consciente e a atenção plena. O autocuidado vai além de uma máscara facial ou um banho relaxante. Envolve a incorporação de pausas estratégicas durante o dia, a prática de mindfulness para “ancorar” sua mente no presente e a dedicação a hobbies que lhe tragam alegria e satisfação. Mesmo cinco minutos de respiração consciente ou uma breve caminhada podem reduzir significativamente os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Essas práticas ajudam a recarregar suas energias e a aumentar sua capacidade de responder, em vez de reagir, aos desafios.

Construa uma Rede de Apoio e Cultive Conexões Autênticas.

O isolamento é um dos grandes vilões da saúde mental. Cultive relacionamentos positivos com seus colegas. Um simples café ou uma conversa honesta sobre os desafios do dia pode fortalecer laços e criar um senso de pertencimento e apoio mútuo. Pesquisas mostram que o apoio social no trabalho funciona como um amortecedor psicológico, protegendo os colaboradores dos efeitos negativos do estresse e aumentando o engajamento.

Não Hesite em Pedir Ajuda Profissional.

Reconhecer que você precisa de ajuda é um sinal de força, não de fraqueza. Seja conversando com seu gestor, procurando o RH ou buscando um profissional de saúde mental, o importante é dar o primeiro passo. As empresas estão cada vez mais cientes da sua responsabilidade e muitas oferecem Programas de Assistência ao Empregado (EAPs) que podem fornecer suporte confidencial e qualificado. Se você sente que as estratégias de autocuidado não são suficientes, buscar ajuda especializada é fundamental.

Prevenindo o Burnout: Sinais de Alerta e Estratégias de Ação

O burnout é mais do que somente cansaço; é um estado de esgotamento físico, emocional e mental causado pelo estresse crônico no trabalho. Identificar seus sintomas precocemente é o primeiro passo para a prevenção (não faça autodiagnóstico, procure apoio médico especializado). De acordo com pesquisas da Mayo Clinic e da American Psychological Association, os sinais podem ser divididos em três categorias principais:

Para prevenirmos o burnout, é essencial que as organizações e os indivíduos trabalhem juntos. Estratégias como monitorar a carga de trabalho, garantir pausas adequadas, promover um equilíbrio saudável entre vida profissional e pessoal e incentivar o uso de férias são fundamentais para proteger a energia e o bem-estar dos colaboradores.

O Papel da Liderança: Criando um Ambiente Psicologicamente Seguro

Líderes têm um impacto desproporcional na saúde mental de suas equipes. Um artigo da Harvard Business Review destaca que, para criar um ambiente verdadeiramente saudável, as intervenções individuais não são suficientes; é preciso uma abordagem sistêmica.

“Os líderes precisam se comprometerem a apoiar a saúde mental de seus funcionários — e a sua própria… Para adotar uma abordagem mais holística do bem-estar no local de trabalho, os autores sugerem que os líderes se tornem ‘arquitetos comportamentais’, incorporando estratégias de bem-estar — e apoio — em todos os níveis da organização.” —Holly Bauer, Harvard Business Review

Como os líderes podem criar este ambiente seguro e saudável?

  1. Lidere pelo Exemplo: a vulnerabilidade pode ser uma força. Quando líderes compartilham suas próprias experiências com a saúde mental, eles quebram o estigma e normalizam a busca por ajuda, mostrando que é possível ter sucesso enquanto se gerencia um desafio de saúde mental.
  2. Promova a Flexibilidade: Oferecer mais controle sobre onde, quando e como o trabalho é feito é uma das maneiras mais eficazes de reduzir o estresse e melhorar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. A flexibilidade demonstra confiança e respeito pela autonomia do colaborador.
  3. Capacite Seus Gestores: Os gerentes de linha de frente são a primeira linha de defesa. É crucial treiná-los para reconhecer os sinais de sofrimento, iniciar conversas de apoio com empatia e saber como conectar os membros da equipe aos recursos adequados da empresa.

A Nova NR1 no Brasil: Um Marco para a Prevenção

O Brasil deu um passo significativo na proteção da saúde mental do trabalhador com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR1). A Portaria MTE nº 1.419/2024, com vigência a partir de 26 de maio de 2025, torna explícita a obrigação de todas as empresas, independentemente do porte ou grau de risco, de gerenciarem os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho.

O Contexto: Por Que Isso Importa?

Os números são alarmantes. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a OMS estimam que 12 bilhões de dias de trabalho são perdidos anualmente devido à depressão e à ansiedade, representando um custo de quase US$ 1 trilhão à economia global. No Brasil, considerando os acidentes de trabalho de 2022, os transtornos mentais representaram 8,35% dos adoecimentos ocupacionais, ficando em segundo lugar, perdendo somente para problemas osteomusculares.

Esses riscos psicossociais são definidos como perigos decorrentes de problemas na concepção, organização e gestão do trabalho, que podem gerar efeitos na saúde do trabalhador ao nível psicológico, físico e social.

Fatores de Risco Psicossociais

O Guia do Ministério do Trabalho e Emprego publicado em 2025,  lista os fatores de risco que devem ser avaliados pelas empresas:

Roadmap para Implementação

O caminho para a conformidade envolve um processo estruturado que integra a NR1 com a NR17 (Ergonomia):

  1. Preparação e Envolvimento das Partes Interessadas. O primeiro passo é avaliar se a empresa necessita de ajuda especializada para conduzir o processo. É fundamental envolver todas as partes: profissionais de SST (Segurança e Saúde no Trabalho), SESMT (se houver), níveis gerenciais, alta administração e, especialmente, os trabalhadores e a CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio). A comunicação transparente é essencial para criar um ambiente de confiança, onde os trabalhadores se sintam seguros para compartilhar suas experiências reais.
  2. Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos. Todas as empresas devem realizar a Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP), que é obrigatória mesmo para aquelas dispensadas de elaborar o PGR. A AEP é uma abordagem inicial para identificar os perigos psicossociais em todas as funções e ambientes. Quando necessário, uma Análise Ergonômica do Trabalho (AET) mais aprofundada deve ser conduzida. A avaliação deve considerar as exigências da atividade de trabalho e focar nas condições de trabalho, não em sintomas individuais.
  3. Controle e Implementação de Medidas de Prevenção. Com base nos riscos identificados, a empresa deve implementar um plano de ação com medidas concretas. Isso pode incluir o redesenho de tarefas, a melhoria na comunicação organizacional, o treinamento de lideranças para reconhecer sinais de sofrimento, a promoção de maior autonomia e controle sobre o trabalho, e a criação de canais seguros para denúncias de assédio e discriminação.
  4. Monitoramento, Melhoria Contínua e Documentação. A gestão dos riscos psicossociais não é um evento único, mas um processo contínuo. As empresas devem adotar uma abordagem do tipo PDCA (Plan-Do-Check-Act), monitorando continuamente a eficácia das medidas implementadas, ajustando as estratégias conforme necessário e mantendo todos os registros atualizados no PGR. O acompanhamento de indicadores de saúde, como afastamentos e Comunicações de Acidentes de Trabalho (CATs), é crucial para avaliar o impacto das intervenções.

Conclusão: Uma Responsabilidade Compartilhada

Cuidar da saúde mental no trabalho não é somente uma iniciativa de RH ou uma obrigação legal; é um imperativo estratégico e humano. Em um mundo que nos testa constantemente, criar um ambiente de trabalho que promova o bem-estar é a forma mais poderosa de garantir que as pessoas e as organizações prosperem.

Neste Dia Mundial da Saúde Mental, que possamos nos comprometer a iniciar conversas, a ouvir com empatia, a apoiar nossos colegas e a liderar com compaixão. A saúde mental é uma jornada, e ninguém precisa percorrê-la sozinho.

Referências

Organização Mundial da Saúde. (2020). Fazer o que importa em tempos de stress: Um guia ilustrado. Genebra: OMS. https://www.who.int/publications/i/item/9789240003927

U.S. Department of Health and Human Services. (2025). Workplace Mental Health & Well-Being. Surgeon General’s Framework for Workplace Mental Health & Well-Being.https://www.hhs.gov/surgeongeneral/reports-and-publications/workplace-well-being/index.html

Gallup. (2024). How to Prevent Employee Burnout.https://www.gallup.com/workplace/313160/preventing-and-dealing-with-employee-burnout.aspx

Mayo Clinic. (2023). Job burnout: How to spot it and take action.https://www.mayoclinic.org/healthy-lifestyle/adult-health/in-depth/burnout/art-20046642

Bauer, H. (2025). HBR’s Best Practices for Supporting Employee Mental Health. Harvard Business Review.https://hbr.org/2025/05/hbrs-best-practices-for-supporting-employee-mental-health

Ministério do Trabalho e Emprego (Brasil). (2025). Guia de informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho (NR-1). Brasília: MTE.https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/normas-regulamentadora/normas-regulamentadoras-vigentes/guia-nr-01-revisado.pdf

World Health Organization & International Labour Organization. (2022). Mental Health at Work: Policy Brief. Geneva: WHO.https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/mental-health-at-work

Para mais informações:

•       Mental Health Foundation – World Mental Health Day 2025: https://www.mentalhealth.org.uk/our-work/public-engagement/world-mental-health-day

•       Organização Mundial da Saúde – Saúde Mental no Trabalho: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/mental-health-at-work

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