Antes de ser uma palavra da moda usada até em livros de colorir e antes mesmo de despertar o crescimento de uma enorme indústria global, a mindfulness era, de fato, uma prática antiga e natural de bem-estar focada em viver uma vida mais presente, aberta e consciente. Não só pode melhorar a autoconsciência, mas também é um meio de desenvolver  o foco, a resiliência, a redução do estresse e muito mais. E são estas raízes autênticas, centradas na pessoa e amparadas por pesquisas científicas, que podemos utilizar estas práticas no ocidente.

Na verdade, acreditamos que a consciência plena  – ou viver com consciência – é a chave para se alcançar e manter um ótimo bem-estar mental. Mas se sua definição do termo e tudo o que ele engloba é um pouco nebuloso, nos permita detalhar tudo o que você precisa saber sobre a mindfulness, desde o que é, até como pode impactar positivamente seu bem-estar mental.

 

O que é mindfulness?

De acordo com Marina Neumann, mindfulness, ou atenção plena, é um estado mental de presença. “É muito mais do que apenas prestar atenção; trata-se de estar consciente, de não viver em piloto automático”, explica ela. “Hoje vemos todos fazendo um excesso de coisas, com a mente em outro lugar”. Uma pequena definição de atenção plena é sair do piloto automático para estar em um estado de consciência”.

De acordo com a Mindfulness Initiative, um instituto de políticas públicas baseado no Reino Unido focou em trazer a mindfulness e o treinamento da compaixão para o palco das discussões: “Mindfulness é uma capacidade humana nata que permite que as pessoas foquem intencionalmente no que experimentam no momento com uma atitude de abertura, curiosidade e cuidado”. Além disso, “Mindfulness significa prestar atenção ao que está acontecendo no momento presente na mente, no corpo e no ambiente externo, com uma atitude de curiosidade e bondade”, como observado em seu relatório de 2015.

 

Que práticas e técnicas se enquadram no espectro de mindfulness?

Você pode pensar que a mindfulness é apenas um sinônimo de meditação, mas na verdade ela engloba muito mais do que isso.

“A prática da consciência plena é uma prática antiga, profundamente enraizada no budismo. Desde 1979, com a criação da primeira IBM- Intervenção Baseada em Mindfulness, por Jon Kabat-Zinn, na Universidade de Massachusetts: MBSR – (Mindfulness Based Stress Reduction), recebeu uma abordagem científica, estruturada e secular”, explica Marina.

Como tal, a atenção plena pode ser dividida em dois grandes grupos de práticas:

 

Práticas formais (ou dedicadas)

Apoiado por mais de 20.000 entradas no PUBMED e mais de 600.000 artigos no Google Scholar, este braço de atenção plena tem o maior número de pesquisas de apoio. “Estas são práticas formais, onde você reserva tempo para a meditação e é principalmente a atenção voltada para a respiração, sensações corporais, sons, pensamentos e emoções”, explica Marina. “As práticas de mindfulness também podem incluir práticas de monitoramento aberto e meditações de bondade amorosa e compaixão”.

 

Práticas informais

Como Marina é rápida para nos lembrar, “não praticamos mindfulness para nos tornarmos bons meditadores, nós praticamos mindfulness, para termos uma vida melhor e mais feliz, vivendo plenamente nossas experiências”. Como tal, uma parte importante da atenção plena é sobre a viver de forma consciente ou como utilizamos nosso treinamento e experiências de atenção plena ao longo do nosso dia a dia. “Aprender sobre nossos gatilhos e escolher melhores respostas, fazer pausas intencionais, conectar-se com as pessoas ao nosso redor, apreciar o momento, não julgar, e aceitar a vida como ela vem”, Marina expande.

 

Quais são os benefícios de se praticar mindfulness?

“Mindfulness não é uma panaceia que pode curar qualquer coisa”, adverte Marina, mas, de modo geral, há uma infinidade de benefícios que qualquer pessoa pode obter com a prática da mindfulness. Estes incluem:

– Aumento da autoconsciência

– Aumento da autorregulação

– Aprender mais sobre autocuidado

– Tornar-se melhor no estabelecimento de limites

– Prevenção e recuperação de burnout

– Reduzir o estresse e a ansiedade

– Desenvolver foco e concentração

– Fomentar a resiliência e a criatividade

– Melhorar a comunicação

Além disso, há pesquisas emergentes que apontam para mindfulness como uma ferramenta eficaz para aqueles que experimentam preocupações e questões mais especiais. “Temos intervenções específicas para reduzir recaídas em episódios de depressão (MBCT – Mindfulness Based Cognitive Therapy) ou para reduzir recaídas em comportamentos viciantes ou compulsivos (MBRP – Mindfulness Based Relapse Prevention), com resultados comprovados”, explica Marina. “As intervenções de atenção (MBCR e MBCT-Ca) que oferecem atenção aos pacientes com câncer, beneficiam os pacientes com sintomas como sono, dor e medo de recidiva da doença”.

 

Quem pode se beneficiar?

“Com tanta pesquisa sobre a prática de mindfulness, podemos estar certos de que ela pode beneficiar a maioria das pessoas, especialmente aquelas que querem cultivar um estilo de vida mais equilibrado, feliz e saudável”, explica Marina. É uma ferramenta brilhante para administrar seu bem-estar ou saúde mental, o que é importante para que você possa aproveitar ao máximo seu potencial, lidar com as tensões da vida moderna e desempenhar um papel pleno em sua família, local de trabalho, comunidade ou grupo de amigos.

Há uma concepção errônea comum de que mindfulness incentiva somente a introspecção, mas isso é simplesmente falso. “É o contrário: você estará muito mais alerta, vivo, presente e engajado”, afirma Marina. “As principais atitudes de mindfulness são a curiosidade, a mente de um principiante e a compaixão, tanto em relação a nós mesmos como em relação aos outros”.

Entretanto, para aqueles com condições mais específicas (como uma fase aguda de qualquer distúrbio, depressão profunda, distúrbio bipolar ou psicose, risco de histórico de dissociação, trauma grave), é vital que primeiro consultem um médico ou psicólogo para verificar se a prática em questão é apropriada e somente praticar com a orientação de professores experientes. Como explica Marina, “Eles devem ter certeza de que estão em mãos profissionais que possam guiá-los através da experiência e apoiá-los em suas descobertas e desafios”. É obrigatório que os praticantes sejam professores sejam treinados em mindfulness sensível ao trauma”.

 

Quais são as melhores maneiras de praticar a mindfulness para desenvolver bem-estar mental?

Não é necessário reservar horas e horas para praticar mindfulness. “Comece por incluir pausas intencionais em seu dia. Basta parar e respirar fundo ou intencionalmente colocar a sua atenção para o que você estiver fazendo: lavar a louça, escovar os dentes, andar na rua”, recomenda Marina.

Ela também sugere a prática simples de trazer sua atenção para os pés no chão por alguns instantes, e tirar um tempo para realmente examinar as sensações. Alternativamente, “tente prestar atenção em alguém falando com você com a intenção de compreendê-lo, não responder para esta pessoa”.

 

Traduzido e adaptado de “Mindfulness for Mental Wellbeing”, New Life Portugal. Artigo com a colaboração de Marina Neumann. Maio 2021

Deixar um comentário