Rebobinando um ano quando, para a maioria de nós, ‘zoom’ não era mais do que uma função de câmera fotográfca. Mas graças a um trabalhando em home-office, o Zoom (junto com Teams, Meet, Facetime e a miríade de outras aplicações de videoconferência por aí) se tornou uma parte onipresente de nossa vida cotidiana.

Em grande parte, estas ferramentas virtuais têm sido essenciais em nossas vidas. Elas não apenas facilitaram o trabalho em casa durante toda a pandemia, mas também nos permitiram manter contato com pessoas queridas quando os encontros da vida real estavam muito limitados. Entretanto, como diz o velho ditado: até um excesso de coisas boas podem ser exagero. E é exatamente por isso que a fadiga do Zoom parece ser tão prevalecente agora.

Todos nós sentimos o cansaço que vem depois de um dia passado falando para uma tela sobre reuniões de trabalho e resmunga quando um amigo sugere mais um encontro pelo Zoom. Mas o que é a fadiga do zoom? Como ela se manifesta? Por que ela ocorre? E como podemos combatê-la antes que ela leve ao esgotamento total? Temos todas as respostas abaixo.

 

O que é a fadiga do Zoom?

 

“A fadiga do Zoom é o esgotamento que surge do uso excessivo de reuniões de videoconferência como o Zoom, Teams ou Google Meet que vieram com o isolamento pandêmico” explica a instrutora sênior da New Life Portugal, Marina Neumann, MBA.

Burnout, por outro lado, é considerada uma síndrome médica. De fato, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu o burnout como uma síndrome médica em maio de 2019 e a define como “estresse crônico relacionado ao ambiente de trabalho que não foi gerenciado com sucesso”. Todos sentimos o estresse de acumular cargas de trabalho, mas o burnout “está relacionado ao fato de que as condições e recursos gerais de trabalho estão além dos recursos de uma pessoa, tanto internos quanto externos”.

Dado que as videoconferências se infiltraram em todos os aspectos de nossas vidas – desde o trabalho remoto até manter contato com a família e amigos – elas podem ser uma causa adicional que leva ao esgotamento geral, particularmente se inibirem a conclusão de sua lista de afazeres ou retardarem sua eficiência no trabalho.

Por que existem também os aspectos negativos das reuniões de Zoom?

Embora as reuniões do Zoom possam nos permitir participar de reuniões sem nunca sair de nossas mesas, elas vêm com seus próprios inconvenientes. “As videochamadas dificultam mais a manutenção do foco e concentração do que as reuniões presenciais, e isso consome muito mais energia”, explica Marina.

O simples ato de olhar para uma tela pode ser exaustivo. “Olhamos para o rosto de alguém muito mais do que se estivéssemos sentados na mesma sala que nossos interlocutores”, acrescenta Marina.

As reuniões virtuais também parecem menos agradáveis do que as realizadas na vida real, o que pode usar ainda mais nossas reservas de energia já esgotadas. “Como seres sociais, a videoconferência não traz a mesma satisfação do contato direto que nos nutre e nos energiza tanto”, explica ela.

O trabalho remoto também tornou toda a comunicação interpessoal mais formal: há muito tempo já se foram as conversas de corredor ou os bate-papos no cafezinho que desempenharam um papel importantíssimo na cultura do escritório. “Estas reuniões informais  facilitaram muita conversa, resolução de problemas e apoio social”.

 

Por que as reuniões via Zoom são tão cansativas?

Marina assinala um estudo recente de Stanford que afirma que existem alguns mecanismos específicos não-verbais exclusivos das implementações atuais de videoconferências que podem causar fadiga do Zoom e plataformas similares.

 

Ansiedade pelo reflexo

“Isto pode ser acionado pela auto visão em videoconferências que atua como um espelho onipresente durante as interações sociais”.

Uma armadilha física

“Devido à necessidade de permanecer dentro do campo de visão da câmera, há uma sensação de estar fisicamente preso”, observa Marina. “Em reuniões presenciais, as pessoas podem andar, se mover e se alongar, mas em videoconferências sua mobilidade é reduzida a um campo estreito”.

Olhar super focado

“Isto se refere à experiência perceptiva de ter constantemente os olhos das pessoas em seu campo de visão”. Durante as reuniões presenciais, o orador tende a desviar o olhar dos outros, mas durante as videoconferências todos os participantes recebem o olhar direto um do outro, independentemente de quem esteja falando.

Aumento da carga cognitiva

“Os dois últimos mecanismos estão relacionados ao aumento da carga cognitiva da gestão do comportamento não-verbal neste novo ambiente de comunicação”. Quando se pensa em comunicação presencial, uma parte significativa da conversa é captada através de sugestões como linguagem corporal e gestos que podem parecer espontâneos, não-conscientes e sutis. Por outro lado, “as videoconferências exigem esforço e atenção intencionais para produzir e interpretar a comunicação não-verbal. como acenar com a cabeça em momentos apropriados ou exagerar os gestos para que possam ser vistos na tela, podem aumentar a carga cognitiva nas videoconferências”.

 

Quais são os sintomas de fadiga do Zoom?

 

Há uma infinidade de sinais a serem observados se você acha que pode estar sofrendo de fadiga de Zoom. Marina destaca os seguintes:

– Cansaço, dor ou irritação nos olhos

– Visão embaçada e dupla

– Excesso de lágrimas e piscadas

– Tensão ou irritação ocular que não existia antes

– Sentir-se cansado entre chamadas

– Sentindo-se mais cansado no final de seu dia de trabalho do que de costume

– Sonhar acordado em vez de prestar atenção em suas reuniões

– Calor excessivo ou suor durante as ligações

– Constante sensação de exaustão

– Ansiedade de ligar sua câmera

– Esquecimento e dificuldade de concentração

– Dificuldade em manter relacionamentos e estar presente com entes queridos

– Frustração e irritabilidade com os colegas de trabalho

– Sintomas físicos, como tensão muscular, dor, fadiga e insônia

– Dores de cabeça ou enxaquecas regulares

 

Como combater a fadiga do Zoom

 

“A fadiga do zoom  e o esgotamento podem ter graves impactos sobre nossa saúde mental e física e podem causar ansiedade, depressão, isolamento e falta de motivação”, adverte Marina. “É necessária uma maior atenção ao estabelecimento de um plano de autocuidado e limites”. Embora nem sempre seja possível liberar seu horário de trabalho de todas as reuniões virtuais, há algumas táticas que você pode adotar para evitar a fadiga das vídeo conferências e reduzir seu impacto sobre você.

Faça pausas regulares

“Faça pequenas pausas do computador pelo menos a cada hora”, recomenda Marina. “Olhe pela janela, alongue-se, feche os olhos e respire fundo”. Você também pode praticar a visão periférica, expandindo seu campo visual 180 graus”.

Pratique a ioga dos olhos

“Alguns exercícios de ioga para os olhos ajudam a aliviar os sintomas da tensão ocular”, revela Marina. “Em um estudo com 60 estudantes de enfermagem, 8 semanas de prática de yoga ocular foram efetivas para fazer os olhos se sentirem menos cansados e fatigados”.

Planeje sua programação taticamente

Agora que o mundo está começando a se abrir novamente, tente fazer algumas de suas reuniões mais informais ao ar livre sempre que possível. “Evite programar reuniões ininterruptas, faça intervalos de telas e, sempre que possível, mude para telefonemas ou e-mails”, recomenda ela. “Tente manter um dia por semana sem videoconferências”.

Evite fazer multitarefas

“O multitarefa pode ser tão tentador em um ambiente virtual como verificar seus e-mails ou WhatsApp enquanto participa de uma reunião com muitas pessoas ou treinamento on-line”, admite Marina, portanto tente aderir a uma única tela a qualquer momento. Você melhora a sua produtividade e poupa energia.

Desligue sua câmera

“Se o vídeo não for necessário, desligue-o e evite olhar para sua própria imagem durante a conferência. Você também pode ajustar sua configuração para olhar apenas para a pessoa que fala, não para todos os participantes da reunião ao mesmo tempo.

 

Traduzido de “Zoom Fatigue and Burnout: a guide for recognising the symptoms and how to manage it”, New Life Portugal. Artigo com a colaboração de Marina Neumann. Maio 2021

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